Quem chora pela chacina na Bahia? Ou pior, quem sabe disso?

De acordo com o site da Anistia Internacional , o Brasil é o país onde mais se mata no mundo, superando muitos países em situação de guerra. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.

Em Salvador, foram mais de 13 mortes desde sexta-feira,06/02/2015, após ações da PM nos bairros do Cabula, Sussuarana e Cosme de Farias.

O Mapa da Violência 2014 traz números assustadores acerca dos homicídios na faixa de 15 a 29 anos. Em 2012 mais que duplicam as taxas totais (38,5 por 100 mil as taxas totais e 82,7 as juvenis). E como fica Salvador nisso? Salvador ocupa a quinta posição do ranking das capitais que mais matam jovens negros no Brasil. Perdendo para Maceió, João Pessoa, Fortaleza e Vitória. Além de Salvador, dois municípios da Bahia (Mata de São João e Simões Filho) atingem a marca de 371,5 e 308,8 homicídios por 100 mil jovens, e mais 12 municípios a casa dos 200 homicídios por 100 mil. Ok. E o que o governador diz sobre a chacina?

“Tem que decidir em alguns segundos como é para colocar a bola para fazer o gol. Depois que a jogada termina, todos os torcedores da arquibancada, se foi feito o gol, vai dizer que fez o golaço – e vai repetir várias vezes na televisão. Se o gol foi perdido, o artilheiro, provavelmente, vai ser condenado: “porque se tivesse chutado desse ou daquele jeito, teria entrado” , disse ele para a plateia formada por policiais.

Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Centro de Pesquisas Aplicadas da Fundação Getúlio Vargas (CPJA-FGV) e o Sistema Nacional de Segurança Pública (Senasp), mostra que 43,2% dos policiais brasileiros, acreditam que o policial que mata um criminoso deve ser premiado pela corporação. Isso faz lembrar do Decreto nº 79, Casa da Câmara, Salvador, 1733.

“Determinando que o capitão-do-mato receberia a quantia de 320 réis pela captura de escravos fugitivos dentro dos limites da cidade até os sítios da Soledade, Forte de São Pedro e Água de Meninos; na Barra, Rio Vermelho e Brotas receberia 480 réis; se fosse apanhado a uma légua ao redor da cidade, 640 réis; e 1280 réis para os que fossem capturados três léguas distantes da casa de seu senhor; se fosse o escravo apanhado no Rio Joanes receberia 2000 réis e em Itapoã, 280 réis.”

O que mudou de lá pra cá? Quem chora com a chacina na Bahia? Ou pior, quem sabe disso? Quando as políticas públicas irão chegar antes da polícia?

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